quinta-feira, junho 29, 2006













... Daqui eu não sou,
Eu nunca fui daqui!
Quem dera fazer daqui
Um outro lugar,
Ao saber que o caminho dos meus pés
Há-de ser onde eu me levar ...

E. Morricone / D. Pontes in "Focus"

terça-feira, abril 25, 2006

Casa minha



















p. s. - vemo-nos um destes dias meu amor...

quinta-feira, abril 20, 2006

... e porque é preciso e precioso lembrar!

"As pedras não são de ninguém em Jerusalém
De cada pedra o dono é o tempo que tem
São pedras sobre pedras, dizem Jerusalém
As pedras falam, falam, mas ninguém ouve bem
E a história recomeça sempre em Jerusalém
E mais as mil histórias que essa história contém
‘Stórias de amor e sangue erguem Jerusalém
E a mais linda história começou em Belém
A palavra brotou da boca dum homem bom
De Gaza a Ramallah, e de Jenin a Hebron
E tanto faz
Se é guerra ou paz
No ano que vem
Jerusalém
Tanto nasci
Tanto morri
No ano que vem
Jerusalém
A dor que reconstrói cada palavra de bem
Mas é como se aqui não estivesse ninguém…"
José Mário Branco
in "Focus" - Ennio Morricone/Dulce Pontes

terça-feira, abril 18, 2006

É conscientes dos erros do passado que construímos um futuro melhor!

"Era na Primavera de 1506. A irregularidade das estações nos dois anos antecedentes, irregularidade que se protraiu até ao ano seguinte, deu em resultado a fome. Ainda naquela época a falta de subsistências trazia, em regra, por companheiro um flagelo, então trivial, não só por esta, mas também por outras causas. Era a peste.Desde Janeiro que a peste redobrava de intensidade em Lisboa, e nos princípios de Abril era tal o progresso da epidemia que a mortalidade subia em alguns dias ao número de cento e trinta indivíduos. Faziam-se preces públicas, a 15 do mês ordenou-se uma procissão de penitência, que, saindo da Igreja de S. Estevão, se recolheu na de S. Domingos, seguindo-se a celebração de preces solenes. Durante elas o povo implorava em gritos a misericórdia divina. No altar da capela chamada de Jesus havia naquele tempo um crucifixo, e no lado da imagem do Salvador um pequeno receptáculo, que servia de custódia a uma hóstia consagrada. No excesso da exaltação religiosa houve quem cresse ver aí, e talvez visse, uma luz estranha. Espalhou-se logo voz de milagre. Ou que os dominicanos, aproveitando a ilusão, realizassem artificialmente a suposta maravilha ou que a credulidade, fortalecida pelos terrores da peste, predispusesse cada vez mais a imaginação do vulgo para ver aquele singular clarão, é certo que ainda nos dias seguintes havia quem afirmasse divisá-lo perfeitamente. Todavia, o voto mais comum era que essa maravilha não passava de uma fraude, e ainda muitos dos mais crentes suspeitavam que o facto existira apenas nas imaginações encandecidas. Durante quatro dias a crença no prodígio foi ganhando vigor. No domingo seguinte ao meio-dia, celebrados os ofícios divinos, examinava o povo a suposta maravilha, contra cuja autenticidade recresciam suspeitas no espírito de muitos dos espectadores. Achava-se entre estes um cristão-novo, ao qual escaparam da boca manifestações imprudentes de incredulidade acerca do milagre. A indignação dos crentes, excitada, provavelmente, pelos autores da burla, comunicou-se à multidão. O miserável blasfemo foi arrastado para o adro, assassinado e queimado o seu cadáver. O tumulto atraíra maior concurso de povo, cujo fanatismo um frade excitava com violentas declamações. Dois outros frades, um com uma cruz, outro com um crucifixo arvorado, saíram então do mosteiro, bradando heresia, heresia! O rugido do tigre popular não tardou a ressoar por toda a cidade. As marinhagens de muitos navios estrangeiros fundeados no rio vieram em breve associar-se à plebe amotinada. Seguiu-se um longo drama de anarquia. Os cristãos-novos que giravam pelas ruas desprevenidos eram mortos ou malferidos e arrastados, às vezes semivivos, para as fogueiras que rapidamente se tinham armado, tanto no Rossio como nas ribeiras do Tejo. O juiz do crime, que com os seus oficiais pretendera conter o motim, apedrejado e perseguido, teria sido queimado com a própria habitação, se um raio de piedade não houvera momentaneamente tocado o coração do tropel furioso que o perseguia, ao verem as lágrimas da sua esposa, que desgrenhada, implorava piedade. Os dois frades enfureciam as turbas com os seus brados, e guiavam-nas com actividade infernal naquele tremendo lavor. O grito de revolta era: Queimai-os! Quantos cristãos-novos encontravam arrastavam-nos pelas ruas e iam lançá-los nas fogueiras da Ribeira e do Rossio. Nesta praça foram queimadas nessa tarde trezentas pessoas, e às vezes, num e noutro lugar, ardiam a um tempo grupos de quinze ou vinte indivíduos. A ebreidade daquele bando de canibais não se desvaneceu com o repouso da noite. Na segunda-feira as cenas da véspera repetiram-se com maior violência, e a crueldade da plebe, incitada pelos frades, revestiu-se de formas ainda mais hediondas. Acima de quinhentas pessoas haviam perecido na véspera: neste dia passaram de mil. Segundo o costume, ao fanatismo tinham vindo associar-se todas as ruins paixões, o ódio, a vingança covarde, a calúnia, a luxúria, o roubo. As inimizades profundas achavam no motim popular ensejo favorável para atrozes vinganças, e cristãos-velhos foram levados às fogueiras com os neófitos judeus. Alguns só obtinham salvar-se mostrando publicamente diante dos assassinos que não eram circuncidados. As casas dos cristãos-novos foram acometidas e entradas. Metiam a ferro homens, mulheres e velhos: as crianças arrancavam-nas dos peitos das mães e, pegando-lhes pelos pés esmagavam-lhes o crânio nas paredes dos aposentos. Depois saqueavam tudo. Aqui e acolá, viam-se nas ruas alagadas de sangue pilhas de quarenta ou cinquenta cadáveres que esperavam a sua vez nas fogueiras. Os templos e os altares não serviam de refúgio aos que tinham ido acoitar-se à sombra deles e abraçar-se com os sacrários e as imagens dos santos. Donzelas e mulheres casadas, expelidas do santuário, eram prostituídas e depois atiradas às chamas. Os oficiais públicos que por qualquer modo buscavam pôr diques a esta torrente de atrocidades e infâmias escapavam a custo, pela fuga, ao ímpeto irresistível das turbas concitadas; porque além da gente dos navios estrangeiros, mais de mil homens da plebe andavam embebidos naquela carnificina. A noite, que descia, veio, afinal, cobrir com o seu manto este espectáculo medonho, que se renovou no dia seguinte. Mas já as hecatombes eram menos frequentes, porque escasseavam as vítimas. Os cristãos-velhos que ainda acreditavam em Deus e na humanidade tinham aproveitado o cansaço dos algozes para salvar grande número daqueles desgraçados, escondendo-os ou facilitando-lhes a fuga, inútil até certo ponto, porque ainda vários deles foram assassinados nas aldeias circunvizinhas. (…) À medida que faltavam alfaias que roubar, mulheres que prostituir, sangue que verter, a multidão asserenava, e os filhos de S. Domingos, recolhendo-se ao seu antro, iam repousar das fadigas daquele dia."


Alexandre Herculano (1810-1877), historiador, escritor e poeta português, in História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal (1854-1855).

Nota: este texto foi retirado do blog Rua da Judiaria. Aconselho, vivamente, uma visita ao blog e outra ao Rossio no dia 19 de Abril. Eu vou levar uma luzinha. Levem também!

sábado, abril 15, 2006

Parabéns Xiba-mãe!


Nós a bulir e ela a passear-se por Londres! Huuummpf...

Que contes muitos anos de vida Xibinha, com toda a felicidade do mundo!

Beijo grande do filho renegado e ingrato ;)

p.s. - I'll be back with the chains...

sexta-feira, março 31, 2006

'bora tomar um café ao bodeguim?

cafés bem tirados ... ou azedos, um livro na beira do pires e algum açúcar

quarta-feira, março 22, 2006

Ondas sonoras do lado de lá...


Através do contacto com o samba carioca e com a Portela, Marisa apercebeu-se que muito desse repertório apenas existia na tradição oral e, consequentemente, corria o risco de se perder.
Entretanto, depois do projecto "Tribalistas" e de uma pausa para a maternidade, Marisa reviu alguns temas que tinha na gaveta, compostos ou abandonados, e decidiu digitalizar tudo.
Resultado: material para dois CDs que respiram e se movem em cores e ambientes distintos. E os títulos falam por si - "Universo Ao Meu Redor" e "Infinito Particular" - um dançável, o outro intimista; um que explora a sonoridade carioca, o outro que explora o universo interior e as vivências de Marisa Monte. Os dois ao nível da excelência, sensíveis, equilibrados e com muita maturidade artística. As melodias são belas, vestidas na perfeição com a voz morna de Marisa. A ajudar, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes, Seu Jorge, Adriana Calcanhoto...
Ouçam, porque faz muito bem ;)